Os Primeiros Vitorianos

Entre os muitos motivos que levam uma menina a usar lolita, a paixão por moda é o que mais se destaca, seja ela atual ou antiga. Sou apaixonada por moda e cultura, atualmente tenho lido muito sobre a história da moda e achei um texto muito interessante. Pra mim, além de saber o que é lolita, toda iniciante deveria aprender mais sobre as inspirações nas quais a moda se baseia. O artigo " Os Primeiros Vitorianos " do blog História da Moda, fala sobre o surgimento da era vitoriana. As imagens mostram bem os detalhes da vestimenta antiga, nos quais as lolitas hoje se inspiram para montar seus outfits. Espero que gostem e aproveitem o texto . . .

A Moda e o Tempo: Os Primeiros Vitorianos

Quando o movimento romântico iniciou sua segunda geração - da rica poesia de Keats, Byron e Shelley -, a moda começou a se alterar. O vestido feminino embora mantendo a cintura alta e a forma tubular, tornou-se mais enfeitado e colorido. Gradativamente as saias e mangas aumentaram, adornos e laços apareceram; a mulher jovem passou a se parecer com abajures de penteadeira. As roupas dos homens, apesar de não terem se modificando tanto, se tornaram mais volumosas e coloridas. Foi o auge do período dandy, com sua meia comprida, peito de pombo, casaco cintado listrado e calças justas amarelas de couro de gamo. Por volta de 1820, o primeiro padrão vitoriano foi estabelecido: o homem elegante e cheio de si e a mulher infantil elaboradamente enfeitada, imatura tanto mental quanto fisicamente.


Os trinta anos seguintes presenciaram variações sobre esse tema, primeiro, na década de 1820, surgiu a aparência da menininha tola: toda de fitas, pompons, cachos, mangas balão e chapéus extremamente grandes e folgados. Ser pequeno e magro era uma vantagem: mãos e pés pequenos e cinturas estreitas eram exploradas, e o peito era suprimido ou encoberto por decote alto. Como estas roupas sugerem, frivolidade e inanidade tornaram-se características femininas desejáveis. A ignorância, que era como um sinônimo de inocência, era preferida à sagacidade e à perspicácia - que sugeriam familiaridade com a impureza. Dora Spenlow, personagem do livro David Copperfild com seus suspiros, beicinhos e medos infantis é um bom exemplo deste tipo característico da época.

[...] A beleza do início da Era Vitoriana como retratada nas ilustrações e estampas de moda, era de constituição pequena e esguia, como a própria jovem rainha Victoria. Seios de menina, cintura estreita, olhos grandes e escuros e boca minúscula como um botão de rosa. Parecia estar prestes a ser lançada como um balão de ar quente, mal parecia forte o suficiente pra se sustentar ereta sem o apoio de suas roupas. Sua cabeça pendia de seu pescoço fino e ombro caídos - quanto mais caídos melhor. As roupas se transformaram para se adaptar a esse novo ideal. As saias voltaram a se estender até o chão, mangas enormes e bufantes caiam até os pulsos; pregas e debruns substituíram laços e babados soltos do começo da década de 1830. A aparência de alegria infantil dos anos anteriores desapareceu; em seu lugar, o feitio dos vestidos acentuava a inclinação submissa dos ombros caídos. Nestas roupas, as mulheres caminhavam e se moviam menos vigorosamente. Os espartilhos mais compridos e as saias volumosas pesavam, golas, fichus de renda e grandes xales franjados dificultavam ou impossibilitavam a mulher elegante de erguer os braços muito alto, enfatizando sua impotência. Seu cabelo perdeu o cacheado; agora era repartido ao meio e puxado pra trás em duas partes uniformes e pendentes. Os lados do chapéu pendiam e se fechavam sobre seu rosto, com abas que impediam sua visão lateral, como antolhos de um cavalo. Essa forma de chapéu transmitia que aquela que o usava era muito delicada e suscetível para suportar o olhar da multidão. Ao mesmo tempo expressava perfeitamente a ideia de que uma bela mulher naturalmente teria uma visão de mundo limitada e estreita: de que seu olhar não se extraviaria enquanto ela vivesse.

Devemos assinalar que no começo, a mulher vitoriana era um ideal, não uma realidade. As mulheres cuja personalidade e atributos físicos se ajustavam a moda que prevalecia a adotaram satisfeitas, exatamente como se faz hoje. Outras foram menos afortunadas: "nos primeiros 50 anos do seculo XIX, enquanto a meta da roupa elegante era criar uma beleza jovem, frágil idealizada, as mulheres que eram grandes, ativas e de meia idade muitas vezes não tinham outra alternativa a não ser parecerem cômicas ou trágicas, se estiverem dispostas a agir de acordo com a moda". Aquelas que não queriam parecer meninas ou indefesas, ou que não possuíam o físico adequado para o papel, talvez preferissem andar fora da moda, pelo menos enquanto continuasse a mesma.



Imagens e texto: História da Moda (Original)

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